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Como calcular o lucro de um imóvel de temporada

A conta que separa faturamento de lucro real no aluguel por temporada, com exemplo fechado, as despesas que quase todo anfitrião esquece e por que ocupação alta não significa lucro.

· 5 min de leitura

O lucro de um imóvel de temporada é tudo que entrou menos tudo que saiu, no mesmo período. A conta parece óbvia, mas quase todo anfitrião erra no mesmo ponto: confunde o valor que a plataforma deposita com o que o imóvel de fato rendeu, e esquece as despesas que não aparecem em nenhum extrato de reserva.

A fórmula é esta:

Lucro líquido = receita recebida − despesas variáveis − despesas fixas

O resto deste guia é sobre o que entra em cada uma dessas três linhas.

O que conta como receita

Receita é o que o hóspede pagou, não o que caiu na sua conta. A diferença entre os dois é a taxa da plataforma, e ela precisa aparecer como despesa em vez de sumir da conta.

Entram na receita:

  • O valor das diárias.
  • A taxa de limpeza cobrada do hóspede.
  • Taxas extras que você cobra: hóspede adicional, pet, check-in fora do horário.
  • Retenções por dano, quando você fica com o valor.

Se você anuncia em mais de uma plataforma, some tudo. E se aluga direto também, some. Um erro comum é olhar só o painel do Airbnb e concluir que o imóvel rendeu menos do que rendeu, porque as reservas diretas ficaram de fora.

Despesas variáveis: as que só existem quando há reserva

São as que acompanham a ocupação. Quanto mais você aluga, mais elas crescem.

  • Taxa da plataforma. Varia por plataforma e por modelo de cobrança, e muda com o tempo. Não use um número de cabeça: pegue o percentual real que aparece no seu extrato.
  • Limpeza. O que você paga à diarista, que raramente é igual ao que você cobra do hóspede.
  • Consumíveis. Enxoval reposto, café, papel, produtos de limpeza, amenities.
  • Água, luz e gás na parte que varia com a ocupação.
  • Taxas de pagamento quando o aluguel é direto: maquininha, gateway, antecipação.

Despesas fixas: as que correm mesmo com o imóvel vazio

São as que a maioria esquece, e são exatamente as que decidem se o imóvel dá lucro no ano.

  • Condomínio.
  • IPTU, dividido pelos meses.
  • Internet e TV.
  • Seguro.
  • Manutenção e reposição. Ar-condicionado, eletrodomésticos, pintura, móveis. Uma reserva mensal de 1% a 2% do valor da diária média costuma ser um ponto de partida razoável.
  • Impostos sobre o rendimento. Como funciona depende do seu enquadramento; a orientação de um contador vale mais aqui do que qualquer regra genérica. Para a conta de lucro, o que importa é reservar a linha.
  • Financiamento, se o imóvel ainda está sendo pago.

Exemplo fechado de um mês

Os números abaixo são ilustrativos. Substitua pelos seus, principalmente os percentuais de plataforma, que variam.

Linha Valor
18 diárias a R$ 320 R$ 5.760
Taxas de limpeza cobradas R$ 540
Receita bruta R$ 6.300
Taxa da plataforma − R$ 945
Limpeza paga à diarista − R$ 630
Consumíveis − R$ 180
Energia e água − R$ 240
Condomínio − R$ 620
IPTU rateado no mês − R$ 150
Internet − R$ 110
Reserva de manutenção − R$ 200
Lucro líquido R$ 3.225

A receita bruta foi de R$ 6.300 e o lucro ficou em R$ 3.225, pouco mais da metade. É essa distância que faz um imóvel parecer melhor do que é quando você olha só o depósito da plataforma.

Por que ocupação alta não é o mesmo que lucro

Ocupação mede quantas noites foram vendidas, não quanto sobrou. Um imóvel a 90% de ocupação com diária baixa pode render menos que outro a 60% com diária alta, porque cada noite ocupada carrega limpeza, consumíveis e desgaste.

A métrica que junta as duas coisas é o RevPAR, a receita por diária disponível:

RevPAR = receita do período ÷ número de noites disponíveis

No exemplo acima, em um mês de 30 noites: R$ 6.300 ÷ 30 = R$ 210 de RevPAR. Comparar RevPAR entre dois imóveis diz mais do que comparar ocupação, porque o número não melhora só por você baixar o preço.

Três erros que distorcem a conta

Somar o mês pela data da reserva, não pela da estadia. Uma reserva feita em setembro para dezembro é receita de dezembro. Misturar os dois faz o mês da alta temporada parecer fraco e o da baixa parecer forte.

Tratar a taxa de limpeza como lucro. Ela entra na receita e sai na despesa. Quando você cobra R$ 30 a mais do que paga à diarista, o lucro dali são R$ 30, não os R$ 150 cobrados.

Esquecer o custo do imóvel vazio. Condomínio, IPTU e internet correm em janeiro e em junho igual. Um imóvel que dá lucro só na alta temporada pode fechar o ano no zero, e isso só aparece quando você olha doze meses, não um.

Com que frequência refazer a conta

Uma vez por mês é suficiente para acompanhar, e uma vez por ano é indispensável para decidir. O fechamento mensal mostra se o preço está certo; o anual mostra se o imóvel vale a pena.

Se você cuida de mais de um imóvel, faça a conta por imóvel, nunca no agregado. O agregado esconde o imóvel que está dando prejuízo atrás do que está indo bem, e essa é justamente a informação que muda uma decisão.

Como manter isso sem planilha

Fazer a conta é fácil; manter é que não é. O trabalho não está na fórmula, está em lembrar de lançar cada taxa de limpeza, cada reposição de enxoval, cada conserto de chuveiro, no mês certo e no imóvel certo.

É esse lançamento que Sogio tira do seu caminho: você manda um áudio ou a foto de uma nota, e a despesa entra no imóvel e no mês certos. Quando quiser a conta, você pergunta e a resposta vem com número.