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Airbnb ou Booking: qual vale mais para o seu imóvel

Como os dois canais cobram, quem chega por cada um, quando o dinheiro cai na sua conta e como comparar os dois com número em vez de opinião.

· 6 min de leitura

A resposta curta é que a pergunta está mal formulada. Quase todo anfitrião que vive disso anuncia nos dois, e a decisão real não é qual canal usar, e sim quanto sobra em cada um depois de taxa, cancelamento e trabalho.

Este guia é sobre como responder isso com o seu próprio número, porque a resposta muda por imóvel, por cidade e por época do ano.

Como cada um cobra

Os dois cobram de formas diferentes, e é aí que mora a maior parte da confusão.

Airbnb trabalha com dois modelos. No modelo dividido, uma parte da taxa sai de você e outra é cobrada do hóspede por cima do anúncio. No modelo em que só o anfitrião paga, a taxa inteira sai de você e o hóspede não vê nenhum acréscimo. O segundo é obrigatório em algumas situações, incluindo anúncios conectados por software.

Booking trabalha com comissão paga pelo anfitrião. O hóspede não vê taxa separada: o preço anunciado é o que ele paga. A comissão varia por propriedade e por mercado, e existem programas opcionais de visibilidade que aumentam esse percentual em troca de posição na busca.

Não use percentual de cabeça para nenhum dos dois. Os dois mudam a política com o tempo, e o número que vale é o que aparece no seu extrato. Abra o painel, pegue três reservas reais de cada canal e calcule quanto sobrou sobre o valor pago pelo hóspede. Esse é o seu percentual.

Por que a taxa sozinha não decide

Um canal com taxa maior pode sobrar mais no fim do mês, e isso não é contraintuitivo quando você olha o que mais está em jogo:

  • Preço que o mercado aceita. Se o hóspede vê um acréscimo de serviço, ele compara o total, não a diária. Um canal que embute tudo no preço anunciado pode permitir uma diária cheia maior.
  • Ocupação. Um canal que te dá dez noites a mais no mês compensa vários pontos de comissão.
  • Perfil de estadia. Estadias mais longas diluem limpeza e enxoval por noite.
  • Cancelamento. Uma noite cancelada em cima da hora custa mais que qualquer taxa.

Quem chega por cada canal

Isso varia muito por cidade, e o seu histórico vale mais que qualquer generalização. Mas há um padrão que se repete e ajuda a formular a hipótese antes de conferir no seu dado.

Airbnb nasceu de hospedagem entre pessoas e continua puxando estadia de lazer, grupo, família e temporadas mais longas. A ficha do anúncio é sobre o espaço e sobre quem recebe.

Booking nasceu de hotelaria e continua puxando o hóspede que compara opções como compararia hotel: filtro, nota, cancelamento flexível, reserva mais próxima da data. Costuma trazer mais estadia curta e mais viagem a trabalho.

Isso tem consequência prática. Se o seu imóvel é grande, com muitos quartos e foco em família, um canal tende a render mais. Se é um estúdio perto de centro comercial, o outro tende a render mais. Vale testar, não deduzir.

Quando o dinheiro cai

Este ponto é subestimado e afeta o seu caixa mais que a comissão.

No Airbnb, a plataforma cobra o hóspede e repassa a você depois do check-in, normalmente no dia seguinte. Você sabe que a reserva está paga antes de o hóspede chegar.

No Booking, existem dois arranjos. Ou você cobra o hóspede diretamente na chegada, e a plataforma te cobra a comissão depois por fatura, ou a reserva é paga pela plataforma e você recebe por um cartão virtual em uma data determinada. Mudam a data em que o dinheiro entra e quem carrega o risco de não pagamento.

Se você tem despesa fixa concentrada no começo do mês, essa diferença importa mais do que um ponto de comissão.

Cancelamento e calendário

Os dois deixam você escolher a política de cancelamento, e a escolha é sempre a mesma troca: política rígida protege a receita e afasta reserva; política flexível enche o calendário e te expõe a buraco de última hora.

Anunciar nos dois traz um risco próprio, que é reserva dupla. Se você mantém dois calendários na mão, uma hora vai errar, e cancelamento por culpa do anfitrião é penalizado nos dois canais. Sincronizar calendário deixa de ser conveniência e vira obrigação a partir do segundo canal.

Como comparar com número

Pare de comparar comissão e passe a comparar receita líquida por noite disponível em cada canal. A conta é a mesma do cálculo de lucro, separada por origem da reserva:

Líquido por canal = receita recebida no canal − taxas do canal − limpeza e consumíveis das reservas dele

Depois divida pelo número de noites que aquele canal ocupou. Você quer saber quanto sobrou por noite ocupada, não quanto entrou no total.

Uma comparação ilustrativa de um mesmo mês:

Linha Canal A Canal B
Noites ocupadas 11 7
Receita recebida R$ 3.410 R$ 2.380
Taxas do canal − R$ 511 − R$ 405
Limpeza e consumíveis − R$ 440 − R$ 350
Líquido R$ 2.459 R$ 1.625
Líquido por noite R$ 224 R$ 232

O canal A trouxe mais receita e mais noites. O canal B sobrou mais por noite. Qual dos dois é melhor depende de você ter ou não noite sobrando para vender: se o calendário fecha sozinho, você prefere o de maior líquido por noite; se sobra data, você prefere o que enche.

Três meses de dado assim decidem a pergunta melhor que qualquer artigo.

O erro que estraga a comparação

Comparar canal olhando só o painel de cada plataforma. Cada painel mostra o dinheiro dele, com o recorte de data dele, e nenhum dos dois inclui a sua reserva direta nem a limpeza que você pagou.

O resultado é que os dois parecem menores do que são, e o canal com o painel mais bonito parece o melhor. A comparação só fica honesta quando as reservas dos dois entram no mesmo lugar, com a mesma régua.

Como manter isso sem virar trabalho

Nada disso é difícil de calcular. É difícil de manter, porque exige registrar a origem de cada reserva, a taxa real de cada uma e a despesa que ela gerou, mês após mês.

É esse registro que Sogio tira do seu caminho: você manda um áudio dizendo o que entrou e de onde veio, e quando quiser saber qual canal está rendendo mais, você pergunta.